 As lágrimas teimam em cair dos olhos de Divita Mendes sempre que se recorda dos factos que precipitaram a morte da sua irmã mais nova. Aos 26 anos, Joana Mendes, perdeu a vida no decurso de uma cirurgia realizada num centro médico precário, localizado no bairro do Palanca, município do Kilamba Kiaxi, em Luanda.
Segundo Divita Mendes, a cirurgia era para neutralizar as dores insistentes que a falecida sentia na região do ventre. Já se passaram nove meses e a dor da perda mantém-se inalterável.
“A minha irmã era uma pessoa alegre, cheia de confiança na vida e não merecia morrer daquela forma”, lamenta.
Divita Mendes lembra que ao contrário daquilo que todos esperavam, a cirurgia correu mal e até Joana Mendes dar entrada, em estado grave, na Maternidade Central de Luanda, foi um pequeno passo. Assistida de urgência, e apesar de todas as tentativas de reanimação feitas pela equipa médica, a paciente não resistiu ao corte que trazia na região do abdómen.
No depoimento de Divita Mendes está presente o sentimento de culpa. A própria confessou que a escolha do centro médico do bairro Palanca teve a sua anuência. Para seu espanto, posteriormente, veio a descobrir que o médico que havia conduzido a operação não tinha conhecimentos nem autorização para exercer a medicina.
Risco permanente O episódio que ocorreu com a jovem Joana Mendes encontra semelhanças noutras histórias de pacientes que vão em busca de cura para os seus problemas de saúde nos postos sanitários precários, de reputação duvidosa.
A fiscalização da polícia aponta como ponto comum desses centros a sua localização nos bairros periféricos, em instalações desprovidas de condições higiénicas e de saneamento básico.
Entre os pacientes, a escolha raramente termina da melhor forma. Quando não morrem ou desistem do tratamento, a maior parte das vezes ficam incapacitadas para o resto da vida.
Jovem de compleição alta e magra, há cerca de um ano surgiram persistentes dores de coluna que conduziram Samuel Sucuexe a um posto médico no bairro Boa Esperança, em Viana. Durante mais de duas semanas submeteram-no a várias sessões de massagens, com a promessa de que ficava curado.
Neste momento, as queixas de Samuel Sucuexe incidem mais nos 25 mil Kwanzas que teve de gastar pelo tratamento do que propriamente nas dores de coluna.
“O tratamento não passava de paliativo. Com o passar do tempo não sentia melhoras, pois as dores aumentavam de intensidade e, por fim, tornaram-se insuportáveis”, disse.
Não tinha “concluído” o tratamento quando, por ordem da polícia, o posto médico foi encerrado. Mas antes o “doutor” do “centro médico” informara Sucuexi da possibilidade de ser submetido a um tratamento “mais avançado”. Sucuexi suspira de alívio quando se recorda disso, pois muito possivelmente a intervenção da polícia salvou-lhe a vida.
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