O Jornal Expresso dedicou um suplemento à Comemoração dos 30 Anos de Angola. Num dos artigos, intitulado “Economia angolana a crescer dia-a-dia”, fala-se da velocidade a que cresce a economia angolana, que o Expresso traduz numa comparação a um comboio a sair da estação e a ganhar cada vez mais velocidade, devendo registar as maiores taxas de crescimento mundial este ano e no próximo.
Em 2003, o crescimento foi modesto: apenas 3,4%. Mas em 2004, a aceleração já foi notória (11,2%) e para o ano em curso, o Banco de Portugal estimava um crescimento de 13,8%, valor entretanto já corrigido em alta devido ao aumento exponencial dos preços do petróleo (e também da produção), com o FMI, por exemplo, a prever 14,7%.
Outros sinais positivos, de acordo com a análise do Banco de Portugal sobre «A evolução das economias dos PALOP e de Timor-Leste», são o prosseguimento do processo de desinflação (com o aumento dos preços a cair de 109% em 2003 para 54,2% em 2004 e 20% este ano), os saldos positivos das contas externas (quer da balança corrente, quer da global), o que já não acontecia desde 2000, e também o saldo positivo do exercício fiscal de 2004, pondo fim a uma longa série de défices.
A par da alta do petróleo, é a situação de paz que o país vem vivendo desde 2002, após uma longuíssima guerra civil de quase 30 anos, que está a permitir o desenvolvimento de outros e novos sectores de actividade económica. «Uma das áreas em que esse progresso tem particular evidência é no sector bancário, onde o dinamismo se expressa quer pela emergência de novas instituições, quer pelo papel acrescido em termos de intermediação financeira, consubstanciado no facto do crédito ao sector privado corresponder já a cerca de 50% dos recursos captados sob a forma de depósitos», escreve o Banco de Portugal.
Outro factor a ter em conta é a linha de crédito de dois mil milhões de dólares que a China abriu e que vai permitir a Angola implementar um ambicioso plano de recuperação de infra-estruturas, nomeadamente de transportes. E embora essa linha de crédito beneficie essencialmente empresas de obras públicas chinesas, é óbvio que daí decorrerá um conjunto de oportunidades para outros investidores.
Angola está também a fazer um esforço para regularizar as dívidas que tinha com vários países. Assim, embora em 2004 o volume global da dívida externa não tenha apresentado uma grande variação no seu montante (9,9 mil milhões de dólares), registou-se uma significativa alteração do seu conteúdo: «através de um processo de reescalonamento e de regularização de dívidas vencidas, o volume de atrasados (que constituía quase metade da dívida total), reduziu-se em cerca de dois mil milhões de dólares».
A dívida oficial bilateral para com o Estado português, que atingia 955 milhões de dólares, foi reescalonada em 2004, em condições muito favoráveis para Luanda. Angola pagou apenas à cabeça 27% desse valor, pagando o restante ao longo de 25 anos, a partir de 2009. Os juros serão cobrados à taxa de 1%, sendo a primeira prestação devida no corrente ano. Da dívida às instituições bancárias portuguesas, no valor de 560 milhões de dólares, foi pago 35%, tendo sido perdoado o restante valor. Idêntico procedimento está previsto no que respeita às dívidas de 840 milhões de dólares a empresas e instituições privadas portuguesas.
Jornal Expresso
Especial 30 Anos Independência de Angola
Edição Angola Digital, Novembro 2005
|